terça-feira, 23 de abril de 2013

A desvantagem de ter vantagem


           
 

            Fazer uma boa campanha na primeira fase de determinada competição e ter regalias na fase seguinte, o que seria normal de todo campeonato, não é certo? Errado! Na Taça Libertadores e no Campeonato Paulista não é bem o que acontece. Todos os anos o melhor colocado está tendo desvantagem nas partidas finais, mesmo obtendo uma campanha excepcional no início.

            Começo justamente por este ano. O Atlético-MG fez uma campanha brilhante na Libertadores, vencendo 5 jogos de 6 disputados, somando nada mais nada menos que 15 pontos. Sua única vantagem nas oitavas de final será decidir em casa, pois enfrentará o São Paulo, tri campeão do torneio. É fato que o time paulista foi o que teve a menor pontuação entre os 16, mas será mesmo que é o pior entre os classificados? Não acredito que essa pontuação determine isso, até porque algumas colocações foram decididas pelo saldo de gol. Enquanto o Galo disputa esse clássico brasileiro, o Grêmio (2º colocado do seu grupo com apenas 8 pontos) pegará o fraco Santa Fé.

            Ainda na Libertadores, em 2010 ocorreu um fato parecido, o Corinthians com a melhor campanha disputou vaga com o Flamengo e acabou sendo eliminado. No ano seguinte, enquanto o Timão (3º) teve o embate com o fraquíssimo Emelec, o Fluminense (2º) cruzou com o Internacional. Já no Paulistão deste ano, o Santos terminou em 3º e vai pegar o Palmeiras, em contrapartida o Botafogo terminou em sétimo e disputará com o Mogi Mirim. Nesse estadual a vantagem é ainda menor, um exemplo claro está no tricolor do Morumbi, que mesmo com 5 vitórias a mais e 13 pontos de diferença do Penapolense, levará a decisão para os pênaltis em caso de empate. Cadê a vantagem nisso?

            Poderia passar horas escrevendo infinitas páginas relatando esses e outros fatos injustos ocorridos devido à esse pífio regulamento, mas parto agora para as possíveis soluções. Para a Libertadores, o time de melhor campanha decidiria em casa e escolheria o seu adversário, o vice, além de também ter o jogo de volta em seu estádio, seria o segundo a escolher e assim por diante. Já para o Paulistão, o líder jogaria em casa e teria a vantagem do empate, assim fazendo justiça à sua boa campanha inicial.

            Diante de tais soluções, agora sim enxergamos alguma vantagem em ser o melhor, em conquistar mais pontos, em se destacar. Além disso, motivaria mais os clubes, despertando mais vontade de vencer tanto para ter essas regalias, como para surpreender quem escolheu. Imagine a raiva de um time após ser escolhido para um jogo, é quase uma afronta, a gana de eliminar o “prepotente” seria algo incrível. Um bom tempero para o futebol.

Miguel Medeiros.




       

Um comentário: