quinta-feira, 7 de março de 2013

Derrota em sete atos


 

            Tolima 2x0 Corinthians, lembram desse jogo? Pois é, essa tinha sido a última derrota do Corinthians em competições internacionais. Com seus 16 jogos de invencibilidade, estava faltando apenas mais um para igualar o recorde ímpar do Sporting Cristal (17 jogos entre 1962 e 1969). A marca caiu por terra diante do Tijuana, líder do grupo até então com 6 pontos e jogava em casa, ou seja, já era de se esperar uma partida difícil. O primeiro tempo terminou na igualdade de 0x0, mas na etapa complementar, aos 20 minutos, Javier Gandolfi empurrou para as redes e decretou a derrota paulista. O Corinthians não perdeu apenas neste lance, foram sete atos diferentes que culminaram no revés.

            Começo justamente pelo gol do Javier. No lance, no mínimo dois jogadores do Tijuana estavam em posição irregular, entre eles o autor do gol. Impedimento claríssimo não marcado pelo juiz Victor Carillo. Além do lance, o árbitro não foi bem no decorrer da partida, deixando com que o confronto tomasse um rumo negativo para as diversas confusões.

            Uma segunda falha foi o pensamento pequeno de Tite. O comandante do time campeão mundial foi para o México objetivando um humilde empate contra os debutantes do torneio. Uma meta muito pequena para uma equipe que pretende o bicampeonato. Foi com essa tática que Adenor conseguiu levar o clube ao título no ano passado, é verdade, mas a Libertadores 2012 acabou, agora estão em um novo campeonato, e uma hora essa “covarde tática” iria trair o professor.

            Falta de criação seria o terceiro ato. O clube paulista não conseguiu criar nenhuma jogada em todo o segundo tempo. Foram apenas duas finalizações, a primeira delas com Guerrero e a segunda com Paulinho, ambas por puro individualismo dos jogadores. Além disso, não conseguiam ficar com nenhuma sobra e nenhum rebote (4º ato), parecia faltar gana nessa hora e a bola ficava com os mexicanos.

            O gramado foi um 12º jogador do time mandante. Apenas Paulinho não encontrou dificuldades com a grama sintética, grama que por sinal era para ser vetada do torneio. É inadmissível a Conmebol liberar um gramado de “pelada de fim de semana”. Sim, grama sintética não combina nem um pouco com futebol profissional.

            O sexto ato foi a falta de sorte. Paulinho marcou duas vezes, mas em posição caprichosamente irregular. Por fim, Tite demorou muito a mudar o time, talvez se tivesse colocado Romarinho mais cedo ele tivesse tempo de criar alguma oportunidade de gol.

            O Corinthians estava irreconhecível, mereceu a derrota em todos os momentos do confronto. A sorte é que perdeu quando podia. Agora é necessário correr atrás do prejuízo e vencer o jogo de volta no Pacaembu, que, diante da diferença entre as duas equipes, não será tão difícil assim.

 

Miguel Medeiros.

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