
Algo comum no futebol é jogador estar em constante troca de clube. São incontáveis os exemplos de profissionais mudando as cores da camisa que defende mais de uma vez ao ano. De forma que a fidelidade ao time é algo cada vez mais raro. Tal fato faz de Ivan Silva um ídolo, não só para a torcida americana, mas para todo fã de esportes no Rio Grande do Norte. Foram 11 anos seguidos vestindo a camisa rubra. Mais de uma década de compromisso intenso e glórias.
Ivan Silva, carioca e hoje com 61 anos, começou sua carreira em 1970, quando, ainda jovem, defendia as cores do Madureira-RJ. Iniciou sua história no América em 1973, já sendo eleito o melhor lateral direito de todo o estado potiguar. Chegou mostrando serviço não só com sua conquista individual, mas também com o título da "Taça Almir" no mesmo ano. Depois disso, deu início a um verdadeiro império no futebol norte-riograndense. "Fui sete vezes campeão estadual, com direito a um bi e a um tetra", comenta, relembrando suas conquistas de 74, 75, 77, 79, 80, 81, 82.
Diante de tamanha eficácia em sua posição, as propostas de outros clubes eram constantes. Equipes do rio como América-RJ e Botafogo chegaram a entrar em contato, assim como Ferroviário e Ceará. Tais convites só aumentaram quando, ocasionalmente, o carioca ganhou espaço também na zaga. "Eu tinha facilidade na marcação, e como os três zagueiros do time estavam contundidos, fui escalado na zaga e acabei sendo campeão invicto, conta". Foram vários jogos na posição em todo o ano de 1982.
Tal ano seria o seu penúltimo como jogador, já que em 1983 encerrou sua brilhante carreira após ser eliminado no estadual para o ABC, em um empate de 1 a 1. "Naquela época você chegava aos trinta anos e a turma já dizia que era veterano, decidi não passar mais um ano sendo chamado assim", declara. Tinha fim uma longa história de 11 anos de batalhas memoráveis dentro dos gramados, jogos que o orgulham até os dias atuais.
O técnico
Entre as fotos, recortes, quadros e camisas, uma solitária faixa do Alecrim chama atenção. Era o símbolo de sua carreira como técnico iniciada em 1984. Comandou os juniores da seleção do RN, a seleção principal do estado e posteriormente o time da faixa. "Treinar o Alecrim foi uma experiência muito boa, pois alcancei meu objetivo", conta, destacando a classificação para as finais do estadual. Já no ano seguinte, teve fim sua breve carreira de comandante, após ser eliminado do primeiro turno do estadual pelo América, em uma partida de arbitragem muito polêmica. "Foi um jogo que não quero mais lembrar", lamenta.
A escolha pela arbitragem
Quem pensa que Ivan Silva terminou suas atividades nos gramados como treinador, muito se engana. Em 1985 deu início a um curso de arbitragem, em que estudou e se preparou para apitar e bandeirar, visto que naquela época eram obrigatórios o acúmulo e o domínio das duas funções. Só no ano seguinte começou no ramo oficialmente. As chuteiras e caneleiras davam lugar ao apito e aos cartões. Questionado sobre o que teria levado a fazer tal escolha, Ivan cita sua última partida como treinador, o duelo entre Alecrim e América, que, para ele, foi decidido pela arbitragem polêmica. "Vou aprender e ver se é possível um juiz apitar um jogo com má intenção", conta, até hoje indignado com o resultado e ressaltando sua esperança por uma arbitragem melhor.
A paixão de Ivan pelo futebol potiguar é tão grande, que mesmo apitando mais jogos do campeonato Brasileiro, destacou a força de um ABC x América diante dos outros. Embora tenha defendido por tantos anos a camisa rubra, conta o fato de jamais ter recebido críticas da imprensa, da equipe alvinegra ou de qualquer outra parte. "Nunca me senti pressionado", finaliza. E então aos 44 anos encerrava de vez suas participações dentro dos gramados.
Miguel Medeiros para o Diário de Natal
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